A música gospel vai morrer

A desvalorização da música gospel leva o artista a degustar o fracasso


6 meses atrás | Micael Batista



Luto (Reprodução)

Não há como negar que a música gospel como a conhecemos no Brasil, está sofrendo uma constante evolução. Sobretudo em tempos de internet, em que o viral pode durar apenas uma curta temporada.

Não se tem mais músicas que ficam durante anos nas paradas de sucesso das rádios evangélicas, ou sendo reproduzidas nas igrejas nos conjuntos de louvor. Agora, os chamados singles duram pouquíssimo tempo  e quando explodem, tem uma vida tão curta que não costumam passar de um ano.

Enquanto artistas como Mattos Nascimento, Ozeias de Paula e Shirley Carvalhaes, emplacaram hits que duraram décadas, a música gospel atual parece seguir o conceito da música secular, onde as canções de sucesso só duram um carnaval.

+ Relembre 8 cantores gospel que fizeram sucesso com uma música só

Diante de toda essa deterioração, é mais uma vez plausível enfatizar, que de fato, a musica gospel como a conhecemos atualmente, muito em breve deixará de existir.

O mercado gospel

O mercado gospel é extremamente lucrativo e movimenta bilhões todos os anos, mas esses números que são, inclusive, divulgados por orgãos especializados, não representa especificamente o mercado fonográfico. Ele envolve a compra e venda de objetos cristãos, camisetas, utensílios e etc.

O CD está deixando de existir e dando espaço as plataformas de streaming, essa mudança tem um impacto ainda maior na transformação da música gospel.

Na medida em que as plataformas de streaming barateiam o processo de distribuição das musicas, apenas gravar a música e disponibilizar nas plataformas não é o suficiente. É preciso que todo um trabalho de mídia seja feito, para divulgar o link da música, e assim, gerar audiência para o seu canal.

Em resumo, para ser bem sucedido nesse novo mercado da música gospel que emergiu da internet, é preciso estar muito bem posicionado nas mídias sociais.

Sem contas nas redes sociais bem engajadas, e até mesmo sem ter dinheiro suficiente para impulsionar publicações nessas midias, dificilmente o artista conseguirá concorrer em um mar de outros cantores gospel que lutam por uma fatia do mercado.

Cantores abandonam a música gospel

O resultado dessa ascensão das plataformas de streaming, é um mercado inflado com artistas que não encontram o sucesso, e sem as eventuais vendas de CD’s e as baixas nas agendas, eles acabam migrando para o mercado da música secular.

É bem verdade que a prática de trocar o gospel pelo secular, é mais comum entre artistas que já saíram do secular, e acabam voltando para reativar suas carreiras lá fora da igreja, mas ainda que incomum, não é raro encontrar cantores que iniciaram suas carreiras como cantores gospel, e depois migram para o secular.

Isso aconteceu de uma forma quase descontrolada nos últimos anos. Nomes como: Perlla, Felipão, Daniel Diau, Marquinhos Maraial, Marcos Nunes, Tonzão, Lucas Mzziony, Dony de Jesus, são apenas alguns dos que trocaram o gospel pelo secular.

A desvalorização do gospel

Recentemente a cantora Priscilla Alcantara esteve num programa da Globo,, exibido pelo G1. Durante sua entrevista, alguém perguntou se ela se considerava uma cantora gospel, e ela respondeu que não.

Priscilla disse que é  cristã mas surpreendeu na resposta sobre o gospel. “Música gospel não é um gênero musical. Eu sou uma cantora que canto música que fala do evangelho, mas meu gênero é Pop”, disse ela.

Essa mesma ideia é compartilhada por alguns outros artistas de expressão, aqueles que se dão bem nos streaming, exatamente pelo fato de ter milhões de seguidores nas redes sociais.

Priscilla também disse que é apaixonada por Justin Bieber, mas que uma das suas maiores inspirações musicais é a Beyonce.

Afirmações como essa, eram impensáveis ha apenas 10 anos atrás. Não idolatrar artista secular era um dos tabus muito comum entre evangélicos.

Alto cachê

Um outro fator que está tornando o mercado gospel cada vez mais insustentável, são os cachês milionários, que muitas vezes cobram quantias absurdas de igrejas. Jovens vão as ruas para vender brigadeiros, apenas para trazer algum artista para ministrar durante um congresso local.

As apresentações de cerca de 40 minutos rapidamente acabam e quando esses artistas se vão, a igreja acaba ficando com dividas intermináveis.

Resumo

O fato é que, se tudo continuar como está indo, muito em breve as igrejas irão acordar e irão fechar o cerco contra algumas práticas  que hoje ainda são vistas com vasta naturalidade.

Tal qual uma bolha financeira, o público que consome os produtos gospel, estão alimentando algo que uma hora ou outra,  vai fica impossível de alimentar, é ai que a casa cai.




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