Pastora acusada de planejar a morte dos filhos é solta no ES

O pai e a avó de uma das vítimas organizou um protesto contra a soltura da acusada


Publicado em: 08/11/18 às 23:51 por Caio Rangel | Atualizado em 15/01/2019 às 16:49

Local do Crime (Reprodução Internet)

Justiça expediu um alvará de soltura para pastora Juliana Salles na madrugada da última quinta-feira (8). Ela estava presa desde o dia 20 de junho no Centro Prisional Feminino de Cariacica e foi acusada de matar seus dois filhos, Kauã e Joaquim, em um incêndio na cidade de Linhares, no estado do Espírito Santo. A pastora ganhou liberdade por volta das três horas da madrugada.

Em contrapartida, o seu marido Georgeval Alves, que é pastor e pai do Joaquim, continua preso no Centro de Detenção Provisória de Viana por ser acusado do crime.

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Um protesto foi feito pelo pai e a avó de Kauã, no centro da capital Vitória, logo após a decisão da justiça, que resultou na soltura da pastora Juliana.

“Nosso protesto é pela indignação e revolta pela Juliana ter sido solta depois do próprio juiz declarar que ela se uniu com Georgeval para ceifar a vida das crianças e aumentar a arrecadação de fiéis. O juiz ainda declara que ela foi omissa pela morte das crianças e os abusos”, disse Rainy Butkovsky, pai de Kauã, uma das vítimas do incêndio.

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O caso que segue em segredo de justiça, tem como responsável do caso o juiz André Bijos Dadalto, da primeira Vara Criminal de Linhares.

A pastora Juliana estava presa em uma outra penitenciaria que fica no município de Teófilo Otoni, Minas Gerais, antes de ser remanejada para Cariacica, Espirito Santo.

O Ministério Público denunciou a pastora para a Justiça, sob a acusação de ser a co-autora do crime, pois ela sabia que os meninos estavam sendo agredidos pelo pastor Georgeval, seu marido, assumindo assim o risco de deixa-lo a sós com as crianças.

Segundo a advogado criminalista Andre Marchiori Polido:

“A soltura dela envolve questões previstas no nosso ordenamento jurídico. Era uma prisão cautelar, em que a finalidade é criar uma barreira de proteção para evitar fraude processual, preservar a investigação, evitar a fuga do investigado e preservar vítimas”, explicou.

E ainda de acordo com o advogado, a soltura da pastora Juliana não significa que ela não vai mais responder pelos crimes que foi acusada.

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“A prisão cautelar deve durar enquanto o caso é investigado e foi constatado que não haviam mais requisitos para manter essa prisão, uma vez que já foi oferecida a denúncia e o caso já está na esfera criminal. Não significa que o processo não vai continuar, no processo penal vai prosseguir, mas ela vai responder em liberdade”, explica o advogado.

O Andre Marchiori explica que o juiz deverá analisar a investigação pois alguns indícios são apontados para Juliana de que ela participou do crime, depois da análise o juiz decidirá se ela é culpada ou inocente.

Os meninos foram mortos em um incêndio no dia 21 de abril, em Linhares, Espirito Santos. O pastor Georgeval, que era pai de Joaquim e padrasto de Kauã, foi acusado de estuprar, agredir e queimar as crianças. Já a pastora Juliana, sua esposa, foi presa porque estava sendo conivente, e sabia do sofrimento que as crianças estavam passando, segundo o juiz.

As acusações que pesam para o casal é de homicídio qualificado, estupro de vulneráveis e fraude processual. O pastor tem mais um agravante, ele responde por tortura.

Pastor Georgeval Alves e pastora Juliana Salles (Reprodução internet)

Após prisão, o que pensam fiéis e esposa do pastor acusado de matar filho e enteado

O caso do pastor evangélico que está sendo apontado pela polícia como o responsável pelas agressões, estupro e morte de Joaquim de 3 anos (Filho), e Kauã de 6 (Enteado), em um crime que chocou o estado do Espirito Santo em meados de Abril, continua causando indignação e revolta.

Apesar de toda a repercução em torno das investigações, um fato tem chamado a atenção da imprensa. Mesmo depois da polícia ter liberado o inquérito, que inclusive aponta 15 fatos sobre a morte das crianças que chocaram ainda mais quem, desde o início, aguarda o resultado das investigações, os discípulos do pastor George Alves, e fiéis da igreja Vida e Paz, não acreditam na versão exposta no inquérito policial.

Eles acreditam cegamente na inocência do pastor, e inclusive, não admitem que as pessoas o critiquem. Essa, pelo menos, é a versão relatada pelo site Gazeta Online, que conseguiu falar com o ministro de louvor da igreja.

Um dia após a morte dos filhos, o pastor George e a pastora Juliana Salles, ministraram no culto de sua igreja. Eles alegaram abrir mão do luto, escolhendo estar ao lado de sua família espiritual.

Desde que o pastor teve sua prisão preventiva decretada pela justiça, não estão acontecendo cultos na igreja Vida e Paz.

Segundo informações, a pastora Juliana Salles também acredita que o marido seja inocente. Ela preferiu não falar com a imprensa até o momento.

Pastor George Alves estaá preso, acusado de matar o filho e o enteado (Reprodução/Gazeta online)

Pastor George Alves está preso, acusado de matar o filho e o enteado (Reprodução/Gazeta online)

Baixa na defesa

Taycê Aksacki, um dos principais membros do grupo de advogados que defendem voluntariamente o pastor George, desde o início, decidiu abandonar o caso. Ela confirmou a imprensa que não atuará mais em defesa do pastor, mas se negou a esclarecer o motivo de sua decisão.

A advogada deu várias declarações no início das investigações, e sua saída repentina pode influenciar ainda mais a opinião pública contra o pastor.

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O inquérito

O inquérito policial, baseado no resultado da perícia feita no local, concluiu que:

1 – Perto de uma escrivaninha que ficava no box de um banheiro da casa, a polícia confirmou ter encontrado sangue de uma das vítimas.

2 – A polícia não tem dúvidas de que, durante a madrugada, o pastor molestou as duas crianças. Isso aconteceu antes das agressões.

3 – Depois de agredir as crianças, elas acabaram ficando desacordadas, nesse momento, o pastor colocou os dois na cama e ateou fogo em ambos, ainda respirando.

4 – A pericia concluiu que  as crianças não morreram por inalar fumaça, e que elas não reagiram por que estavam desacordadas.

5 – A teoria de que algum problema elétrico teria causado o incêndio, foi rapidamente descartada, já que não foram encontrados nenhum vestígios de curto-circuito.

6 – Uma babá eletrônica foi encontrada no quarto, mas ela estava intacta, o que comprova a tese de que o incêndio não se originou por problema elétrico.

7 – O pastor escolheu passear na rua depois de atear fogo contra as crianças. Ele foi visto em vários lugares depois do crime.

8 – Antes do incêndio, testemunhas relataram ter ouvido gritos das crianças, durante os momentos da agressão.

9 – Vizinhos precisaram derrubar o portão quando chegaram ao local, na tentativa de salvar as crianças.

10 – A perícia constatou que as vítimas morreram no mesmo local em que o incêndio iniciou, confirmando a versão de que 11  estavam desacordadas quando as chamas começaram.

11 – A mãe das crianças não teve envolvimento no crime, a perícia constatou que ela não foi conivente.

12 – A polícia revelou não ter nenhuma previsão de que outras pessoas possam ser indiciadas, já que, o pastor estava sozinho

13 – em casa, e cometeu os crimes enquanto a mãe participava de um congresso evangélico.

14 – A justiça deverá receber o inquérito policial do caso, ainda na próxima semana.

15  – Se condenado, o pastor poderá responder  por duplo homicídio triplamente qualificado e duplo estupro de vulnerável. A soma máxima das penas é de 126 anos.




Aniversariante do mês
Álvaro Tito

Cantor

53 anos


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