Pastora acusada de planejar a morte dos filhos é solta no ES

O pai e a avó de uma das vítimas organizou um protesto contra a soltura da acusada


Publicado em: 08/11/18 às 23:51 por Estagiário | Atualizado em 09/11/2018 às 0:00

Local do Crime (Reprodução Internet)

Compartilhe:

Justiça expediu um alvará de soltura para pastora Juliana Salles na madrugada da última quinta-feira (8). Ela estava presa desde o dia 20 de junho no Centro Prisional Feminino de Cariacica e foi acusada de matar seus dois filhos, Kauã e Joaquim, em um incêndio na cidade de Linhares, no estado do Espírito Santo. A pastora ganhou liberdade por volta das três horas da madrugada.

Em contrapartida, o seu marido Georgeval Alves, que é pastor e pai do Joaquim, continua preso no Centro de Detenção Provisória de Viana por ser acusado do crime.

+ Família de uma das crianças mortas pelo pastor George Alves toma decisão sobre justiça

Um protesto foi feito pelo pai e a avó de Kauã, no centro da capital Vitória, logo após a decisão da justiça, que resultou na soltura da pastora Juliana.

“Nosso protesto é pela indignação e revolta pela Juliana ter sido solta depois do próprio juiz declarar que ela se uniu com Georgeval para ceifar a vida das crianças e aumentar a arrecadação de fiéis. O juiz ainda declara que ela foi omissa pela morte das crianças e os abusos”, disse Rainy Butkovsky, pai de Kauã, uma das vítimas do incêndio.

+ Vídeo revela bastidores da igreja que consagrou o pastor George Alves, o “Nardoni Gospel”

O caso que segue em segredo de justiça, tem como responsável do caso o juiz André Bijos Dadalto, da primeira Vara Criminal de Linhares.

A pastora Juliana estava presa em uma outra penitenciaria que fica no município de Teófilo Otoni, Minas Gerais, antes de ser remanejada para Cariacica, Espirito Santo.

O Ministério Público denunciou a pastora para a Justiça, sob a acusação de ser a co-autora do crime, pois ela sabia que os meninos estavam sendo agredidos pelo pastor Georgeval, seu marido, assumindo assim o risco de deixa-lo a sós com as crianças.

Segundo a advogado criminalista Andre Marchiori Polido:

“A soltura dela envolve questões previstas no nosso ordenamento jurídico. Era uma prisão cautelar, em que a finalidade é criar uma barreira de proteção para evitar fraude processual, preservar a investigação, evitar a fuga do investigado e preservar vítimas”, explicou.

E ainda de acordo com o advogado, a soltura da pastora Juliana não significa que ela não vai mais responder pelos crimes que foi acusada.

+ Pastora Juliana Salles, mãe das crianças abusadas e mortas pelo pai fala pela primeira vez

“A prisão cautelar deve durar enquanto o caso é investigado e foi constatado que não haviam mais requisitos para manter essa prisão, uma vez que já foi oferecida a denúncia e o caso já está na esfera criminal. Não significa que o processo não vai continuar, no processo penal vai prosseguir, mas ela vai responder em liberdade”, explica o advogado.

O Andre Marchiori explica que o juiz deverá analisar a investigação pois alguns indícios são apontados para Juliana de que ela participou do crime, depois da análise o juiz decidirá se ela é culpada ou inocente.

Os meninos foram mortos em um incêndio no dia 21 de abril, em Linhares, Espirito Santos. O pastor Georgeval, que era pai de Joaquim e padrasto de Kauã, foi acusado de estuprar, agredir e queimar as crianças. Já a pastora Juliana, sua esposa, foi presa porque estava sendo conivente, e sabia do sofrimento que as crianças estavam passando, segundo o juiz.

As acusações que pesam para o casal é de homicídio qualificado, estupro de vulneráveis e fraude processual. O pastor tem mais um agravante, ele responde por tortura.

Pastor Georgeval Alves e pastora Juliana Salles (Reprodução internet)

Após prisão, o que pensam fiéis e esposa do pastor acusado de matar filho e enteado

O caso do pastor evangélico que está sendo apontado pela polícia como o responsável pelas agressões, estupro e morte de Joaquim de 3 anos (Filho), e Kauã de 6 (Enteado), em um crime que chocou o estado do Espirito Santo em meados de Abril, continua causando indignação e revolta.

Apesar de toda a repercução em torno das investigações, um fato tem chamado a atenção da imprensa. Mesmo depois da polícia ter liberado o inquérito, que inclusive aponta 15 fatos sobre a morte das crianças que chocaram ainda mais quem, desde o início, aguarda o resultado das investigações, os discípulos do pastor George Alves, e fiéis da igreja Vida e Paz, não acreditam na versão exposta no inquérito policial.

Eles acreditam cegamente na inocência do pastor, e inclusive, não admitem que as pessoas o critiquem. Essa, pelo menos, é a versão relatada pelo site Gazeta Online, que conseguiu falar com o ministro de louvor da igreja.

Um dia após a morte dos filhos, o pastor George e a pastora Juliana Salles, ministraram no culto de sua igreja. Eles alegaram abrir mão do luto, escolhendo estar ao lado de sua família espiritual.

Desde que o pastor teve sua prisão preventiva decretada pela justiça, não estão acontecendo cultos na igreja Vida e Paz.

Segundo informações, a pastora Juliana Salles também acredita que o marido seja inocente. Ela preferiu não falar com a imprensa até o momento.

Pastor George Alves estaá preso, acusado de matar o filho e o enteado (Reprodução/Gazeta online)

Pastor George Alves está preso, acusado de matar o filho e o enteado (Reprodução/Gazeta online)

Baixa na defesa

Taycê Aksacki, um dos principais membros do grupo de advogados que defendem voluntariamente o pastor George, desde o início, decidiu abandonar o caso. Ela confirmou a imprensa que não atuará mais em defesa do pastor, mas se negou a esclarecer o motivo de sua decisão.

A advogada deu várias declarações no início das investigações, e sua saída repentina pode influenciar ainda mais a opinião pública contra o pastor.

+ “Nardoni gospel” Caso do pastor que matou filho e enteado para encobrir estupro, lembra caso antigo

O inquérito

O inquérito policial, baseado no resultado da perícia feita no local, concluiu que:

1 – Perto de uma escrivaninha que ficava no box de um banheiro da casa, a polícia confirmou ter encontrado sangue de uma das vítimas.

2 – A polícia não tem dúvidas de que, durante a madrugada, o pastor molestou as duas crianças. Isso aconteceu antes das agressões.

3 – Depois de agredir as crianças, elas acabaram ficando desacordadas, nesse momento, o pastor colocou os dois na cama e ateou fogo em ambos, ainda respirando.

4 – A pericia concluiu que  as crianças não morreram por inalar fumaça, e que elas não reagiram por que estavam desacordadas.

5 – A teoria de que algum problema elétrico teria causado o incêndio, foi rapidamente descartada, já que não foram encontrados nenhum vestígios de curto-circuito.

6 – Uma babá eletrônica foi encontrada no quarto, mas ela estava intacta, o que comprova a tese de que o incêndio não se originou por problema elétrico.

7 – O pastor escolheu passear na rua depois de atear fogo contra as crianças. Ele foi visto em vários lugares depois do crime.

8 – Antes do incêndio, testemunhas relataram ter ouvido gritos das crianças, durante os momentos da agressão.

9 – Vizinhos precisaram derrubar o portão quando chegaram ao local, na tentativa de salvar as crianças.

10 – A perícia constatou que as vítimas morreram no mesmo local em que o incêndio iniciou, confirmando a versão de que 11  estavam desacordadas quando as chamas começaram.

11 – A mãe das crianças não teve envolvimento no crime, a perícia constatou que ela não foi conivente.

12 – A polícia revelou não ter nenhuma previsão de que outras pessoas possam ser indiciadas, já que, o pastor estava sozinho

13 – em casa, e cometeu os crimes enquanto a mãe participava de um congresso evangélico.

14 – A justiça deverá receber o inquérito policial do caso, ainda na próxima semana.

15  – Se condenado, o pastor poderá responder  por duplo homicídio triplamente qualificado e duplo estupro de vulnerável. A soma máxima das penas é de 126 anos.

Compartilhe:



Mais artigos

Tragédia: Pastor morre em acidente de carro quando voltava do velório da sua irmã

Sua esposa e sua sobrinha também morreram no acidente


Cantora gospel cancela apresentação por falta de cachê e fãs não perdoam

Recentemente a cantora Lauriete passou por alguns problemas na mesma cidade, Cametá, no Pará


Idolatria? Vídeo de apóstolo sendo ungido a “Rei” causa revolta e discussão na internet

O apóstolo costuma pregar usando trajes sacerdotais, um cajado, e a sua poltrona mais parece um trono


Anderson Freire fala a verdade no Instagram depois de perder o Grammy Latino

"O que é maior para Deus, a dor do filho ou o resultado do trabalho do filho?"


Cabo Daciolo dá resposta aos inimigos em post no Instagram

O parlamentar fez alguns inimigos em Brasília, mas também conquistou a simpatia de muitos brasileiros


Vanilda Bordieri desabafa em Live no Facebook e diz que “não é a favor do divórcio”

Vanilda está em pé de guerra com alguns seguidores desde a transmissão que fez do casamento relâmpago de sua irmã Célia Sakamoto


Daniela Araújo lança clipe da música “Sonhadora” e dar a volta por cima

"Eu continuo aquela pessoa sonhadora, meio criança meio boba, imaginando coisas boas por aí..."


Jojo Todynho “detona” críticos após ser flagrada cantando música gospel

Ela reclama da falta de tolerância e ataca duramente os seus críticos.


Bebê é abandonado na porta da igreja e religioso toma decisão inusitada

"Me sinto responsável por ele, desejava até adotar a criança"


Álbum “Fraquinho” de Fernanda Brum ganha Grammy e desbanca Anderson Freire e Cassiane

A cantora ganhou com o álbum "Som da Minha Vida"