A hora da verdade para o goleiro Bruno


Publicado em: 19/02/13 às 10:47 por Micael Batista | Atualizado em 29/08/2017 às 23:43


Dentro de duas semanas, as atenções do Brasil estarão novamente concentradas sobre o Fórum Pedro Aleixo, a sede da Justiça em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde será realizada mais uma etapa do julgamento dos acusados de matar a jovem Eliza Samudio. O primeiro júri do caso, no ano passado, resultou na condenação do réu Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, braço direito do goleiro Bruno, e de Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do jogador. Depois de manobras da defesa que resultaram na separação dos processos e no adiamento do júri para parte dos réus, é chegada a hora de Bruno enfrentar os jurados.
O julgamento previsto para começar no dia 4 de março terá, no banco dos réus, o goleiro Bruno Fernandes e sua ex-mulher, Dayanne Rodrigues. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola – acusado de matar e desaparecer com o corpo de Eliza –, também enfrentaria o júri popular na data, mas por determinação da juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, que presidirá a sessão, ele só volta ao plenário em 22 de abril.

Apesar de longe dos holofotes, o Tribunal de Júri de Contagem já trabalha a todo vapor para preparar os detalhes finais do julgamento. Os 25 candidatos inscritos para decidir o futuro de Bruno e Dayanne – uma pré-seleção para compor o corpo de jurados – já foram convocados e mais 50 foram chamados como suplentes. As 75 pessoas foram selecionada entre 573 moradores de Contagem que se inscreveram para compor o júri. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), por ocasião do julgamento de Bruno e Dayanne dos Santos será permitido que os advogados de defesa dos demais acusados estejam no plenário, para, caso queiram, fazer perguntas aos réus na fase dos interrogatórios.

Os advogados de defesa afirmam que o júri seguirá seu curso sem tumultos ou confusões. No julgamento que resultou na condenação de Macarrão e Fernanda, as manobras funcionaram contra os réus. Deixando Macarrão isolado, o réu sentiu-se abandonado e resolveu confessar o crime. O criminalista Lúcio Adolfo da Silva assumiu a defesa do Bruno em novembro, em conjunto com Francisco Simim, que também defende Dayanne, e Tiago Lenoir Moreira, após o atleta dispensar o advogado Rui Pimenta. Adolfo diz que não vai tentar adiar a sessão.

Adolfo nega que tenha operado uma manobra para adiar o julgamento de Bruno. “Aquilo não foi manobra, mas uma necessidade. Não tínhamos condições de fazer uma defesa sem conhecer as mais de 16 mil páginas do processo”, afirmou o advogado. Lúcio Adolfo disse ter passado os últimos meses estudando todas as provas reunidas nas investigações da Polícia Civil e as oitivas dos réus e das testemunhas.
O principal defensor de Bruno admite que, depois da condenação de Macarrão, a missão de defender os outros réus do processo se complicou. Principalmente pelo fato de, depois da condenação de Macarrão, a Justiça ter determinado a emissão do atestado de óbito de Eliza Samudio. Até então, não havia o documento, pois Eliza ainda era tratada como desaparecida. As defesas vinham usando o fato de o corpo nunca ter sido encontrado para adotar a tese de negação do crime – ou seja, afirmando que não há como provar o assassinato. “Será muito difícil fazer a defesa de um réu acusado de um homicídio, se por determinação da Justiça já existe até um atestando o óbito. Vão perguntar se houve crime. Como o jurado vai responder que não, se há um documento emitido, afirmando que sim”.
Acusação – A condenação de Macarrão anima a acusação. O promotor Henry Wagner de Vasconcelos, do Ministério Público do Estado de Minas Gerais, está confiante e com esperança de que as sessões sigam até o fim, sem interrupções. “Estou mais do que preparado. Conheço detalhadamente o processo e acredito que os jurados irão decidir pela condenação dos réus”, afirmou o promotor.

Em novembro, Luiz Henrique Ferreira Romão, amigo e braço direito do atleta, e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada de Bruno, foram julgados e condenados por envolvimento na trama contra Eliza. Macarrão foi condenado a 20 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado e três pelo sequestro da jovem e do Bruninho. Como optou por uma confissão parcial do crime, Macarrão teve a pena reduzida para 15 anos – 12 anos em regime fechado por homicídio e três em regime aberto por sequestro e cárcere privado. Com base na Lei de Execução Penal, ele deverá permanecer mais 3 anos na prisão, em regime fechado, para, então, solicitar a progressão para o regime semiaberto.

Macarrão cumpre pena na Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem. Fernanda, que mora no Rio de Janeiro, está em liberdade. Ela foi condenada a 5 anos em regime aberto pelo sequestro de Eliza e da criança. Outros dois acusados de participar do sequestro de Eliza e de Bruninho serão julgados separadamente – Elenílson Vitor da Silva, o administrador do sítio do Bruno em Esmeraldas, na Grande BH, e o amigo de Bruno e Dayanne Wemerson Marques de Souza, o Coxinha.

Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, foi assassinado a tiros em agosto, próximo a residência onde vivia com a família, no Bairro Minaslândia, em na Região de Venda Nova, em BH. Flávio Caetano Araújo, o Flavinho, chegou a ser indiciado pela Polícia Civil, mas teve o processo arquivado.




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