Caso de mulher que teve língua cortada por marido choca população


Publicado em: 01/06/12 às 14:02 por Micael Batista | Atualizado em 29/08/2017 às 23:44


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Aumento de casos de violência contra mulheres afegãs assusta o próprio país
Mesmo após o fim do regime Talibã, o recente crescimento no número de mulheres vítimas de violência doméstica voltou a assustar o Afeganistão. Nesta semana, um homem de 22 anos foi preso no norte do país após cortar a língua da esposa durante uma discussão.

A agressão ocorreu na casa do casal no vilarejo de Jangory, na região de Balkh, no norte do Afeganistão.
Policiais identificaram o nome do agressor como Saleh e afirmaram que a mulher, de apenas de 20 anos, estava grávida de sete meses. Segundo as autoridades, ela perdeu o bebê por causa do ataque.
Ela foi encaminhada imediatamente a um hospital da região, onde os médicos de plantão conseguiram reimplantar a língua. Ainda não se sabe, contudo, se ela poderá voltar a falar.
A jovem, que está sendo tratada em um abrigo para mulheres, apareceu em uma coletiva de imprensa em Balkh na última quarta-feira (30) com sua mãe e autoridades locais.
Um repórter da BBC disse que ela estava em choque e não podia falar, mas que queria “mostrar sua repugnância” ao ocorrido. Na mesma ocasião, a mãe da vítima disse que Saleh agredia repetidamente sua filha durante os 12 meses em que eles permaneceram casados.
“Ele já chegou a incendiar o quarto dela, além de agredi-la por pelo menos três vezes. Os mais velhos, entretanto, diziam que se tratava de uma típica briga de casal e que não deveriam interferir”, disse a mão aos repórteres. ”Da última vez, ele cortou a língua dela e eu percebi que ele havia ultrapassado todos os limites”, acrescentou.
‘Pressão mental extrema’
A agressão em Jangory é o episódio mais recente de uma série de incidentes de violência doméstica que vêm ocorrendo no Afeganistão.
No início deste mês, os padrastos de Sahar Gul, de 15 anos, da província de Baghlan, no norte do país, foram condenados a 10 anos de prisão depois de serem acusados de torturá-la, aparentemente porque ela se recusava a trabalhar como prostituta.
Há duas semanas, duas meninas de 10 e 13 anos se enforcaram na província central de Ghor depois de serem vistas vestidas como meninos para que pudessem visitar um vilarejo próximo.
Em algumas partes das zonas rurais do Afeganistão, mulheres são proibidas de viajar sozinhas ou sair de casa sem permissão. Autoridades afirmaram que as duas meninas foram submetidas a uma “pressão mental extrema” de seus parentes por, supostamente, envergonharem suas famílias.
Freba Majidi, responsável pelo escritório de proteção à mulher na região do Balkh, disse à BBC que ela lida diariamente com vários casos semelhantes de violência doméstica. Segundo ela, o que rendeu destaque internacional ao caso de Jangory foi a maneira como a mulher foi atacada. ”Trata-se da primeira vez em que vemos um homem cortar a língua de sua mulher”, disse ela.

Garotas puderam voltar a estudar em escola afegã, em Cabul, após a queda do regime talibã
Apesar de a Constituição da era pós-Talibã promulgada no Afeganistão conferir direitos iguais a homens e mulheres, a ONU estima que a maioria das afegãs já foi submetida a algum tipo de violência doméstica.
Grupos feministas já realizaram seguidos protestos nos últimos meses para expressar preocupação sobre o fato de que as melhorias conquistadas até agora nos direitos das mulheres podem sofrer uma reviravolta com a eventual inclusão de representantes do Talibã em um futuro governo.
Na última quarta-feira, na capital do país, Cabul, representantes da Rede de Mulheres Afegãs – uma organização nacional de ativistas feministas – afirmaram estar preocupadas sobre o que poderia acontecer com as mulheres após a saída das tropas internacionais em 2014.
Elas reivindicaram ao governo uma proteção mais ampla às estudantes das escolas do país após uma série de misteriosos envenenamentos, que teriam sido cometidos pelo Talibã.
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